Meu perfil
BRASIL, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, French, Informática e Internet, Música
MSN -


Histórico:

22/07/2007 a 28/07/2007
22/04/2007 a 28/04/2007
25/06/2006 a 01/07/2006
18/06/2006 a 24/06/2006
30/01/2005 a 05/02/2005
09/01/2005 a 15/01/2005
02/01/2005 a 08/01/2005
19/12/2004 a 25/12/2004
12/12/2004 a 18/12/2004
17/10/2004 a 23/10/2004
03/10/2004 a 09/10/2004
12/09/2004 a 18/09/2004
05/09/2004 a 11/09/2004
29/08/2004 a 04/09/2004
22/08/2004 a 28/08/2004
15/08/2004 a 21/08/2004
08/08/2004 a 14/08/2004
01/08/2004 a 07/08/2004
18/07/2004 a 24/07/2004
04/07/2004 a 10/07/2004




Outros sites:

UOL - O melhor conteúdo
BOL - E-mail grátis
Blog da Cida
Legiao de Urbanos
No Banheiro (Muito Bom)
Amanda GB
Flavia Blog Deusa do Amor
Smashing Pumpkins
H A W K
Inara Cristina
Hateen
Fabielly
Namakashii



Votação:

Dê uma nota para meu blog

Indique esse Blog



Contador:




Layout por:

Destiny - Template Shop




Não Posso deixar a Utopia

Eu mesmo dizia antes, o Marxismo e o Comunismo (ideais de bens e comum), são meramente utopia, espero que esse este contribua para mudar esse aspecto....Boa Leitura (Luis...)

Na sociedade da insatisfação administrada, a auto-ironia e o cinismo regem os modos de vida
Uma discussão atual sobre um conceito tão nebuloso como pode ser o pós-modernismo deve partir da constatação de que, embora tenha sido posta como era do fim das utopias, a pós-modernidade, em seu núcleo duro, impôs-se como um projeto utópico. Tratava-se de pensar e de fazer agir singularidades puras, multiplicidades não-estruturadas que não se submeteriam mais a modelos estruturais de organização de identidades.
A dissolução do eu como unidade sintética e como locus da auto-identidade estável, o fim dos discursos sociopolíticos com aspirações universais (e, com isto, o fim das metanarrativas e dos horizontes estáveis de socialização), a falência de processos de crítica vinculados à operacionalizaçào de distinções ontológicas entre essência/aparência : todos estes motivos eram conjugados através da promessa do advento de um tempo capaz de afirmar e produzir singularidades puras, fazendo assim um retorno ao que teria sido recalcado pela modernidade e por seus processos de racionalização. O que se segue são apenas algumas notas a respeito destas expectativas utópicas embutidas na ideologia pós-moderna.
Tomemos como exemplo, o discurso da dissolução do eu como unidade sintética. Sabemos como o eu está profundamente vinculado à imagem do corpo próprio, ao ponto em que desarticulações na imagem do corpo próprio afetam necessariamente a capacidade de síntese do eu. Mas, se voltarmos os olhos para a retórica do consumo e da indústria cultural, veremos como elas passaram por mutações profundas que afetaram o regime de disponibilização das imagens ideais de corpo. Ao invés de locus da identidade estável, o corpo fornecido pela industria cultural e pela retórica do consumo aparece cada vez mais como matéria plástica, espaço de afirmação da multiplicidade. Isto levou um sociólogo como Mike Featherstone a afirmar que “no interior da cultura do consumo, o corpo sempre foi apresentado como um objeto pronto para transformações”1. Aparece assim a imagem do corpo como interface e superfície de reconfiguração que coloca o sujeito diante da instabilidade de personalidades múltiplas e da des-identidade subjetiva.
De fato, a imagem de um corpo reconfigurável já fazia parte do imaginário de certos setores avançados da cultura de massa graças a cineastas como David Cronemberg ("Videodrome" e, mais recentemente "Ex-istenz") e a artistas como Cindy Sherman (com suas séries de auto-retratos em clichês de filme e de moda) e Orlan (com suas performances nas quais seu rosto era reconstruido cirurgicamente a partir dos modelos da beleza clássica: Gioconda, Vênus, Europa, Diana etc.). Mas atualmente tais imagens migraram para o cerne da cultura de consumo através da publicidade.
À primeira vista, poderia parecer que a migração de representações desta natureza estaria marcando com o selo da obsolescência a idéia frankfurtiana da indústria cultural como negação absoluta da individualidade. Pois, ao invés das operações de socialização através da exigência de identificação com um conjunto determinado de imagens ideias, estaríamos agora diante de uma indústria cultural que incita a reconfiguração contínua e a construção performativa de identidades. Na verdade, o setor mais avançado da cultura do consumo não forneceria mais ao eu a positividade de modelos estáticos de identificação. Ele forneceria apenas a forma vazia da reconfiguração contínua de si que parece aceitar, dissolver e passar por todos conteúdos. Isto pode nos explicar porque temos cada vez menos necessidade de padrões claros de conformação do corpo a ideais sociais.
Tomemos um outro exemplo que caracterizaria de maneira mais clara a promessa utópica pós-moderna de ultrapassar a modernidade. Ela vem do campo do político. Grosso modo, diríamos que uma das grandes utopias da modernidade foi a possibilidade de efetivação daquilo que poderíamos chamar de “política da felicidade”.
Pensemos, por exemplo, nesta declaração de Saint-Just, pronunciada na Tribuna da Convenção em 3 de março de 1794, diante das possibilidades abertas pela Revolução Francesa: “A felicidade é uma idéia nova na Europa”. Para Saint-Just, a felicidade era uma idéia nova na Europa porque, pela primeira vez, ela poderia guiar a racionalidade das esferas que compõem o político. Neste sentido, o primeiro parágrafo da Declaração que precede a Constituição de 1793 não poderia ser mais claro: “O objetivo da sociedade é a felicidade geral ("bonheur commune") e o governo é seu defensor”.
Que a promessa de realização de uma política da felicidade apareça em um momento histórico fundador da modernidade política, isto é algo que não nos surpreende. A escatologia própria a toda política revolucionária moderna depende da promessa utópica da efetivação possível de uma realidade jurídica na qual Lei social e satisfação subjetiva possam enfim aparecer reconciliadas. É por levar em conta as aspirações do princípio de subjetividade no interior da esfera do político que podemos dizer que estamos diante de uma noção de felicidade enquanto fenômeno eminentemente moderno.
Notemos a tensão interna à felicidade na sua versão moderna. Ela deve englobar, ao mesmo tempo, imperativos de reconhecimento da singularidade dos sujeitos e imperativos de integração da multiplicidade dos sujeitos na unidade do corpo social e de suas representações. Devemos assim falar em tensão interna à felicidade porque ela deve dar conta de dois imperativos aparentemente antagônicos.
Há então, na aurora do projeto moderno, uma articulação fundamental entre felicidade e universalidade que nos explica, entre outras coisas, porque todos os grandes projetos de teoria política na modernidade (iluministas, Kant, Hegel) estão de acordo em pelo menos um ponto: a ação política que visa a felicidade subjetiva deve produzir a reconciliação objetiva com o ordenamento jurídico de uma figura institucionalizada do Universal (de preferência, com a realidade jurídica do Estado justo).
Kant, por exemplo, falará da ação racional, a única capaz de produzir um “agradável gozo da vida (Lebensgenuss) e que no entanto é puramente moral" como ação que visa a realização do “reino dos fins”, ou seja, “a ligação sistemática da diversidade dos seres racionais por leis comuns”. No limite, esta realização efetiva dos reinos dos fins nos levaria necessariamente à “uma grande confederação de nações”, última figura da institucionalização do Universal em um Estado justo. Desta forma, uma reconciliação objetiva entre vontade subjetiva e ação institucional seria possível2. Reconciliação que traria enfim a felicidade (Glückseligkeit), já que a felicidade humana aponta: “mais para a auto-estima racional do que para o bem-estar”3.
No interior desta política da felicidade, podemos medir o que significa o “princípio de disjunção” entre Lei e monções pulsionais proposto por Freud. O problema central da análise freudiana do social é moderno por excelência: “Grande parte das lutas da humanidade centralizam-se em torno da tarefa única de encontrar uma acomodação conveniente, ou seja, um compromisso (Ausgleich) que traga felicidade entre reivindicações individuais e culturais; e um problema que incide sobre o destino da humanidade é o de saber se tal compromisso pode ser alcançado através de uma formação determinada da civilização ou se o conflito é irreconciliável”4.

- Postado por: Luis Escritor às 01h25 AM
[ ] [ envie esta mensagem ]

___________________________________________________


CopyRight © Destiny - Template Shop